quarta-feira, 16 de maio de 2012

Aborto de Anencéfalos: A Eugenia Nazista no Brasil

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Já leu o meu último post? Refutação #5: O Dragão na Garagem.

Hoje vamos comentar um acontecimento histórico que se deu dia 12 de abril de 2012. O Supremo Tribunal Federal, conhecido pela sigla STF, decidiu nesse dia a legalização do aborto de fetos anencéfalos. Eu sei que já se passou mais de um mês, meu post está um pouco atrasado, mas isso não muda nada. O assunto ainda é completamente digno de discussão.

Antes de qualquer coisa, quero compartilhar com vocês um vídeo que está rolando na internet onde um indivíduo comemora a decisão do STF como se fosse a conquista do hexa da Seleção na Copa do Mundo. Além disso ele ainda usa uma frase que será contestada ao decorrer do post.


Devemos condecorar o nosso caro amigo do vídeo com uma medalha. É o pior vídeo que já vi em toda a minha vida.

Perguntaram-me recentemente se eu era contra o aborto de anencéfalos. Eu respondi que, primeiramente, sou contra o aborto de uma maneira geral. Tenho bons argumentos para sustentar isso. Entretanto o nosso tema de hoje será especificamente a questão do aborto de anencéfalos. Se quiserem que eu crie um artigo falando sobre o aborto de uma maneira mais geral peçam-me nos comentários, na página do facebook ou por e-mail.

Então, vamos dar início...

Sou completamente contra essa decisão do STF, pois ela abre imensas brechas na legislação, remetendo à um passado já conhecido que todos nós bem sabemos no que culminou. Basta um pouquinho de esforço para nos lembrarmos disso. Aos que não conseguiram reconhecer essa ligação entre a decisão do STF e esse passado horroroso, aí vou eu...

Essa decisão do STF me fez lembrar do conceito de eugenia de um antigo ditador totalitarista muito conhecido de todos, ninguém mais, ninguém menos que Adolf Hitler. É, ele mesmo, Hitler. O Nazismo ficou muito conhecido por sustentar esse ideal de eugenia. Qual era a principal ideia do Nazismo? Criar um mundo melhor através de uma raça pura de pessoas supostamente superiores, com base em "critérios científicos".  Isso era a eugenia nazista. Por isso que eu repudio essa ideia maluca de querer fazer um mundo melhor. Tratei bem sobre isso no post A Ideologia dos "Homens Bons".

Agora essa história está se repetindo no Brasil, e as pessoas não têm noção do quão perigoso isso é. Agora a formação cerebral é o critério que define se você pertence ao grupo dos seres superiores, que têm direito a viver e são considerados pessoas, ou se você pertence ao grupo dos seres inferiores que devem ser exterminados para o bem da humanidade.

Isso abre lacunas muito graves na constituição. Por exemplo, o cérebro é um órgão vital, assim como coração e pulmões. A situação de um anencéfalo não seria diferente da situação de uma criança que nasce com má formação ou problemas no coração ou nos pulmões, afinal são todos órgãos vitais do ser humano, e sem eles a expectativa de vida da pessoa diminui muito. Com base nessa decisão do STF, coisas como essas podem ser legitimadas.

Uma pessoa não pode ser condenada por sua essência. Um negro não pode ser condenado por ser negro, nem um branco por ser branco, nem uma mulher por ser mulher, nem um deficiente físico por sua deficiência. Isso é algo que a pessoa não escolhe, não decide. Os anencéfalos não decidiram ser assim, não é justo condená-los por isso.

O critério para viver agora é esse: não seja anencéfalo. Se você não for, vive. Se for, azar. Assim faziam da mesma forma os Nazistas, só que com um critério diferente. Se você for ariano, vive. Se não, azar. E assim eles mataram 6 milhões de pessoas.

Direciono agora minha pergunta ao ilustríssimo indivíduo do vídeo acima. Será que isso realmente foi uma decisão inteligente? Você sabe o que você está comemorando?

Na verdade, pra ele não interessa se a decisão foi inteligente ou não, o que importa é sacanear os religiosos. Existe aí um grande revanchismo contra os religiosos, como se essa decisão fosse somente uma maneira de dizer aos religiosos: "Hahaha!! Vocês perderam!!". O que vale mesmo é ficar contra os religiosos, custe o que custar. Nem que para isso a pessoa tenha que apoiar um ideal nazista, não importa. O que importa é ser contra os religiosos.

Porém ser religioso e ser contra o aborto são coisas diferentes. Há aí um falso dilema. Não é necessário ser religioso pra ser contra o aborto, nem ser contra o aborto pra ser religioso. Mas talvez isso seja complicado demais pra algumas pessoas entenderem...

Poupo minhas palavras e deixo um vídeo do nosso querido amigo Junior do canal "Submundo Intelectual" falar por mim.


Um comentário:

  1. Vi os dois vídeos na época em que foram divulgados.
    No primeiro vídeo, eu não me esqueço do comentário que li lá "Ele comemora por ser um sobrevivente" ( o assunto é sério, mas lembro disso e não tem como não rir, pois, se for ver bem, ele realmente é um sobrevivente...rs).
    Ele se apresentou no facebook em grupos de debates de religiosos e ateus, pensando em se dar bem junto com ateus, mas também tomou muitos "tocos" dos próprios ateus. De fato, ele defendeu que não é contra os religiosos e religião, mas com um vídeo desse não tem como mentir não é mesmo?
    E o pior de tudo: ele pensa que ele possui a fonte de moralidade absoluta. Não aceita, mesmo sob argumentos muito bem embasados, até mesmo científicos, que a visão dele está equivocada, e baseada na emoção, no ego.

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